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Pesquisa relata falta de memória e sonolência em quem teve Covid.

Atualizado: 11 de mar. de 2021

Estudo do InCor, em São Paulo, aponta que oito em cada dez participantes relataram problemas cognitivos.


Uma pesquisa do InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicína da USP) aponta que pacientes que se recuperaram da Covid-19 apresentaram problemas cognitivos tais como disfunções na memória e atenção, falha no raciocínio, sonolência excessiva e distúrbios na fala e coordenação motora. O estudo indica que esses quadros podem se manifestar mesmo em casos leves ou mesmo assintomáticos.


Denominado "O uso do jogo digital MentalPlus®️ para avaliação e reabilitação da função cognitiva após remissão dos sintomas da Covid-19", o estudo teve sua primeira fase entre março e setembro de 2020 e envolveu 185 pessoas. Atualmente 430 fazem acompanhamento na pesquisa comandada pela neuropsicóloga Lívia Stocco Sanches Valentin, doutora pela FMUSP (Faculdade de Medicina da USP) e Duke University (Carolina do Norte, EUA).


“Assim como nem todos os pacientes que tiveram Covid-19 apresentam sequelas físicas, nem todos também terão problemas cognitivos”, explica Lívia.


Segundo a pesquisadora, oito em cada dez pacientes todos com Covid-19 — relataram perda de memória, dificuldade de concentração, problemas no entendimento e compreensão, problemas na execução de várias tarefas ao mesmo tempo, confusão mental, mudanças comportamentais e emocionais.



Natan Dutra, 45 anos, auxiliar administrativo teve efeitos cognitivos (problema na memória, raciocínio, juízo etc) provocados pela Covid. Ele participou de uma pesquisa do InCor, que o ajudou e forneceu um aplicativo para fazer exercícios diários - Ronny Santos/ Folhapress


Um dos participantes da primeira fase foi o auxiliar administrativo e líder religioso Natan Dutra, 45 anos. Diagnosticado com Covid-19 logo no início da pandemia do novo coronavírus, em abril de 2020, ele teve sintomas leves, que não passaram de tosse persistente antes do diagnóstico. Os problemas dele começaram quando, já curado, voltou a trabalhar.


“Do nada eu percebi que ficava parado, olhando para o nada, perdia a atenção com facilidade e quase bati a moto. Daí eu deixei a moto em casa, peguei o carro para ir trabalhar e novamente quase provoquei um acidente. No total isso aconteceu quatro vezes. Além disso, me sentia irritado, não conseguia mais acompanhar as aulas na faculdade e me assustei, já que nunca fui assim”, afirma.


Ele conheceu a pesquisa por intermédio de seu irmão, que é enfermeiro. Agora está praticamente normal. “Estou bem melhor, já consigo me concentrar e tudo está voltando ao normal”, diz.


O jogo


O MentalPlus®️ é um jogo em formato de aplicativo de celular que facilita o diagnóstico e propõe jogos usados na recuperação cognitiva.


O estudo com pacientes que tiveram Covid não foi o primeiro em que a pesquisadora usou jogo para diagnóstico e reabilitação da disfunção cognitiva. Alguns artigos científicos já publicados por Lívia desde que criou o dispositivo, em 2010, envolvem desde os efeitos em pacientes pós-operatórios que foram submetidos a anestesia geral e também hipertensos.


Segundo a pesquisadora, o diferencial da metodologia que criou está no fato do diagnóstico poder ser feito em poucos minutos e online, por meio de um aplicativo. “Os testes tradicionais demandam de duas a três horas e são físicos [em papel]. Isso exige que o paciente saiba ler e escrever, fazendo com que a pessoa se sinta diminuída em sua capacidade cognitiva”, afirma.


Por estar fazendo parte de uma pesquisa científica,o MentalPlus®️ não está disponível nas lojas de aplicativos, mas os participantes do estudo recebem um link com a autorização para baixá-lo em seus smartphones. Ele propõe uma espécie de jogos que estimulam a memória, o raciocínio e seguem fases de desenvolvimento. O ciclo inicial dura cerca de dois meses.


Lívia deve finalizar em breve os resultados da pesquisa do Incor para que sejam reunidos em um artigo e publicados numa revista internacional de psicologia. Depois disso, deve ser encaminhada à OMS (Organização Mundial de Saúde), que pode ou não adotar a metodologia como padrão ouro para diagnóstico e reabilitação da disfunção cognitiva pós-Covid.


Outra integrante da pesquisa é a administradora de empresas e palestrante motivacional Madalena Carvalho, de 55 anos. Após testar positivo para Covid-19, ela descobriu dias depois que seu pulmão teve comprometimento de 30%. Apesar disso, estava bem e fez o tratamento em casa.


Dias depois voltou a sentir incômodo e retornou ao médico. Repetiu a tomografia e, durante a consulta para análise do exame, foi constatado que ela estava em princípio de infarto. Após quatro dias na UTI, se recuperou e foi para casa. Assim como Natan, ela só percebeu os problemas cognitivos depois.


“Eu ia falar parede e saía porta. Eu queria falar Bradesco e falava banheiro. Os outros até achavam engraçado, mas era sério”, diz.


Madalena ainda cuida das sequelas físicas da Covid-19. A parte cognitiva já apresentou evolução após ela se valer do aplicativo.


Serviço


Para mais informações sobre a pesquisa, acesse a página de voluntariado para pesquisa no menu à direita do site do InCor (www.incor.usp.br).


Para ter acesso direto ao formulário de inscrições, clique.


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